"CHIQUE É CRER EM DEUS"
Investir em conhecimento pode nos tornar sábios... Mas, Amor e Fé nos tornam humanos!
Coisas que todos os catequistas novatos deveriam saber
Catequese é algo fundamental para a Igreja e não se pode improvisar. Por isso, aqui vão algumas coisas básicas que você não pode esquecer.
O catecismo responde.
Respostas sobre dúvidas sonbre o Sacramento do Batismo
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Especial sobre Quaresma
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domingo, 1 de setembro de 2013
Leituras diferentes da mesma Bíblia
Para nós e para todos os outros cristãos, a Bíblia é um alicerce fundamental. Nessa Palavra nos alimentamos, aprendemos a conhecer Jesus, sua mensagem e sua oferta inestimável de salvação. Igrejas cristãs diferentes podem interpretar, cada uma a seu modo, as mesmas passagens bíblicas. Algumas divergências, mais conhecidas, podem ser abordadas na catequese, sem intuito de dar argumentos para briga mas como caminho de preparação para o diálogo, evitando “surpresas” que podem desconcertar quem não se sentir preparado para esse tipo de conversa. Mas, como a Bíblia é um patrimônio da humanidade, conhecida e comentada até por muitos que não têm fé, temos que educar também para lidar com outros problemas, situações em que o próprio texto bíblico é questionado. É importante fazer isso evitando tanto um tipo de leitura fundamentalista como uma análise fria e teórica do texto que não destaque a importância da mensagem.
Reconhecemos que podem existir dificuldades na leitura da Palavra de Deus. È uma coleção complexa de escritos nascidos em séculos diferentes e vindos de uma outra cultura. Tem também uma característica especial em relação aos livros sagrados de outras religiões: ela fala de Deus mas o apresenta dentro da história concreta de um povo, vivida em épocas específicas. Foi sendo escrita ao longo de muitos séculos e suas afirmações foram evoluindo conforme o povo ia progredindo no seu jeito de perceber quem era mesmo o Deus que os chamara. Retrata o que Deus quer comunicar mas mostra isso dentro de uma pedagogia que se liga às necessidades progressivas do contexto em que cada parte do Escritura nasceu.
Por tudo isso, a Bíblia tem que ser compreendida no seu conjunto. Com pouco conhecimento da maneira como cada texto nasceu, corre-se o risco de interpretar a Palavra de um modo não adequado. Então, o livro que devia servir para unir os cristãos pode se transformar em mais uma fonte de desencontro. Isso pode acontecer entre comunidades eclesiais diferentes e dentro da mesma comunidade, quando pessoas escolhem determinados textos para justificar seu ponto de vista, sem uma noção mais ampla do conjunto da mensagem. Não se trata de um livro qualquer, é um texto sagrado, visto com reverência; por isso, pessoas podem ficar até ofendidas com um modo diferente de interpretar algum dado bíblico, achando que está havendo desrespeito com a Palavra de Deus.
Isso acontece com freqüência quando alguém se refere a alguma passagem bíblica e diz: isso que está aqui não aconteceu de fato, é só poesia, linguagem simbólica... Quem ouve acha que a pessoa está chamando a Bíblia de mentirosa e sai indignada em defesa da sua fé. Quem quer explicar o valor simbólico, poético, de certos relatos bíblicos precisa antes deixar muito bem claro que não está denunciando uma mentira, está anunciando uma verdade mais profunda. Há muitos séculos, Aristóteles já dizia: “A poesia é algo mais filosófico e mais merecedor de séria atenção do que a história porque, enquanto a poesia se ocupa de verdades eternas, a história trata de fatos particulares.” Ou seja: a poesia é uma linguagem transcendente, a única capaz de dar conta daquilo que vai além da história, que faz parte da indescritível essência humana e divina. Quando dizemos, por exemplo, que os onze primeiros capítulos do Gênesis são simbólicos e não históricos, não estamos diminuindo o valor da mensagem , estamos ampliando. O que ali se narra é o que acontece ainda hoje com todos nós: somos Adão e Eva quando não sabemos conservar o paraíso que a terra devia ser, somos Caim quando não sabemos ser irmãos, somos Noé quando Deus nos chama a construir espaços de salvação diante das ameaças da vida, somos construtores de torres de Babel quando nos desentendemos com os irmãos por causa de nossas vaidades.
Uma interpretação assim vai mais longe, mas precisa ser feita com a reverência que o texto sagrado exige.
É função importante da catequese apresentar uma interpretação bíblica atualizada, ligada à vida, que destaque a mensagem mais do que os recursos e detalhes da roupagem em que ela foi envolvida. Mas é bom também ajudar a perceber que, com o mesmo texto, Deus pode estar comunicando a cada um aspectos diferentes da mensagem mais ampla. Em qualquer caso, é preciso ter um bom conhecimento da Escritura. Até para dialogar com quem pensa diferente é fundamental se sentir seguro para que a conversa seja tranqüila, respeitosa e realmente construtiva.
Therezinha Cruz
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
Cronograma de Atividades: Setembro e Outubro de 2013
|
SETEMBRO
02 a 05: Semana
Social Nacional
28 a 30 – Seminário Regional da CF 2014 – (o
trafico de pessoas)
|
OUTUBRO
04 a 11: Congresso Latino Americano e Caribenho de ABP e equipe de
Apoio
Local: Chile
25 a 27 - Reunião da equipe de coordenação do
Regional – Avaliação e Planejamento.
Local: Aracaju-SE
25 e 27: Sulão da Catequese
Local: Curitiba-PR
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Importância das Dinâmicas na Catequese
Acredito
na catequese como um serviço missionário. Catequistas, de um modo geral, não se
acomodam na Pastoral da sagrada rotina.
Os catequistas tendem a ir onde existem catequizandos sedentos de conhecimento.
Catequistas vão à busca de conhecimento e aprofundamento para poder preencher
melhor seus pupilos.
O
evangelho nos mostra que Jesus ensinava por parábolas. Ele nos mostra que para
evangelizar é preciso falar a linguagem daquele que vai ouvir. Transpondo isso
para a catequese, podemos dizer que o catequista utiliza-se de dinâmicas para
fazer-se ser compreendido por seus catequisandos.
O medo da associação da catequese com a escola
faz com que, precipitadamente alguns catequistas tentem animar demasiadamente a
catequese. Outros pretendem “animar” a turma, outros procuram maneiras lúdicas
para explicar. Proponho-me
a fazer entender que dinâmica dentro da catequese não pode e não deve ser
associada a joguinho e brincadeiras para “passar o tempo”. Quando
acontecerem (não é preciso ter dinâmicas em todos os encontros), devem ser bem
planejada e fundamentadas na Bíblia. Ou seja, devem ter fundamento e finalidade
bem explicitas.
É
possível classificar as dinâmicas em seis grandes grupos: Técnica quebre-gelo,
técnica de apresentação, litúrgicas, técnica de interação, técnica de
capacitação e técnica de relaxamento e animação. Mas cada qual tem o seu
momento oportuno para ser utilizado.
Como
na maioria das Paróquias a catequese esta no inicio, por isso começarei
pelas dinâmicas de quebra-gelo. Esse tipo de dinâmica ajuda a tirar as tensões do
grupo, desinibindo as pessoas para o encontro. Pode ser um momento informal
onde os catequizandos se movimentam e se descontraem. Resgata e trabalha as
experiências de criança. E são recursos
que quebram a seriedade do grupo e aproximam as pessoas.
Um bom exemplo é uma dinâmica adaptada de
quebra-gelo, que eu chamo de Que Santo sou eu?
OBJETIVO: Facilitar o entrosamento e
descontração do grupo em seu primeiro
contato. Ajuda no reconhecimento e estudo
dos Santos da nossa Igreja (como nos pede o Porta Fidei).
FUNDAMENTAÇÃO
BIBLICA: Mt
5,48
MATERIAIS:
·
Um
pedaço de papel com o nome de Santos para cada participante. Pode ser também o
desenho da imagem.
·
Fita
crepe para prender os papéis às costas de cada participante.
TEMPO
DE APLICAÇÃO:
30 minutos
NÚMERO
MÁXIMO DE PESSOAS:
30
NÚMERO
MÍNIMO DE PESSOAS:
10
PROCEDIMENTO: O catequista pede
inicialmente que eles fiquem em duplas, de preferência em duplas de pessoas que
eles não conheçam ainda e explica que será fixado nas costas de cada catequizando
um papel contendo um nome de um Santo e que não devem pronunciar estes nomes,
pois o colega que o tem preso às costas não pode sabê-lo.
Tendo
terminado de fixar os papéis, o catequista explica as regras da dinâmica: Cada catequizando,
tem por objetivo descobrir "que Santo ele é".
Para
isso, o catequizando poderá fazer apenas 3 perguntas quaisquer, ao seu par, a
respeito de seu Santo. O seu par só poderá responder com as palavras
"sim" ou "não".
Em
seguida invertem-se as funções e o outro par é quem faz três perguntas, o qual
também só poderá responder com "sim" ou "não.
Se,
com base nas respostas do outro colega, um dos dois descobrir "que Santo
ele é", deverá ir ao catequista e dizer que Santo ele representa naquele
momento.
Caso
não descubra a dupla se desfaz e vai procurar outro par para reiniciar a sessão
de 3 perguntas cada um. E assim sucessivamente.
A
dinâmica termina quando: boa parte do grupo tenha conseguido descobrir
"quem é"; quando a dinâmica exceda o prazo estabelecido; ou quando o
entusiasmo do grupo pela dinâmica comece a diminuir.
Ao
fim do da dinâmica, o catequista deve ler a seguinte passagem: Sedes
Santos, assim como vosso Pai celeste é Santo. Mt 5,48 e reafirmar que
esse deve ser o compromisso de todo cristão, a busca incessante pela Santidade.
Como
proposta
de vida[1]
pode sugerir que eles pesquisem sobre aquele Santo que estava pregado em suas
costas.
OBSERVAÇÕES:
1.
Essa
dinâmica pode ser utilizada em qualquer etapa da catequese, mas requer
adaptações. Por exemplo: Nas turmas menores, podem-se utilizar os profetas, as
variações de nomenclaturas de Nossa Senhora, os Anjos e Arcanjos. Já nas turmas
de jovens e adolescentes, pode-se (e deve-se) utilizar os intercessores e
patronos da JMJ 2013, etc. Utilizando as particularidade da cada Paróquia, é
bom utilizar sempre os santos patronos da Paróquia/Comunidade.
2.
Se
a turma for ainda muito tímida, o catequista pode oferecer um prêmio
para quem acertar primeiro.
3.
É
bom ter sempre um fundo musical suave durante o tempo em que a dinâmica
acontece.
Concluo,
reafirmando que Dinâmicas na catequese não pode ser um mero artifício, mas
desde que com finalidade e motivação do catequista, a mesma terá muitos
benefícios.
É preciso fazer ecoar a Palavra de Deus em todo lugar.
Ate mais,
S.
Avelino
Esse artigo faz parte da REVISTA DIGITAL SOU CATEQUISTA. Para acessar a revista integralmente, é só clicar AQUI.
[1]
Em minha Paróquia, a proposta de vida, funciona quase
como uma tarefa de casa, mas sempre com finalidade prática e humana.
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
VIGÉSIMO PRIMEIRO DOMINGO COMUM (25.08.13)
Lucas
13, 22-31
“É
verdade que são poucos os que se salvam?”
Jesus continua a sua caminhada em
direção à Jerusalém, e no caminho, prossegue ensinando os seus discípulos. O
debate agora é sobre uma questão que sempre intrigava os cristãos - e também os
de outras crenças: “É verdade que são poucos aqueles que se salvam?” (v. 23).
Durante
muito tempo, o assunto de muitas pregações nas igrejas era a condenação.
Falava-se muito mais em pecado do que na graça, no diabo do que em Jesus, do
inferno do que no céu ou no projeto de Jesus para este mundo. Infelizmente,
especialmente nos ambientes fundamentalistas, tanto católicos como
protestantes, essa tendência volta a vigorar. É só assistir certos programas de
TV e rádio! Neste trecho Jesus nos ensina como enfrentar esta questão!
Chama
a atenção que Jesus não responde à pergunta. Ele não indica se são muitos os
que se salvam, ou não. A preocupação d’Ele é que as pessoas vivam de acordo com
o projeto de Deus. Nisso encontrarão a salvação. Por isso, ele desvia a atenção
do ouvinte da questão do “além morte” para que volte à vivência prática da fé.
O conselho d’Ele é claro: “Façam todo o esforço possível para entrar pela porta
estreita” (v. 24). Resta perguntar - em que consiste esta “porta estreita?” O
texto nos dá a resposta: “Ele responderá: “Não sei de onde são vocês.
Afastem-se de mim todos vocês que praticam a injustiça” (v. 27)
Interessante
que Deus afastará os que praticam a injustiça - não fala daqueles que têm
fraquezas humanas, que têm uma fé diferente, que ignoram as verdades da
teologia - ou seja, se preocupa com a prática da injustiça. Pois o seguimento
de Jesus é basicamente isso, o amor prático, que se manifesta na justiça. Sem
esta prática, simplesmente a fé é vã! A “porta estreita” é a prática da
justiça!
Jesus
adverte que talvez não sejam os que conhecem a sua mensagem que irão herdar o
Reino. Pois o critério do julgamento não será o conhecimento teórico do
evangelho, mas a sua vivência concreta na justiça, conforme ele diz: “Muita
gente virá do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e tomarão lugar à mesa
no Reino de Deus” (v. 29)
Diante
do fechamento do judaísmo farisaico, com a sua religião nacionalista, Jesus
abre perspectivas ecumênicas - a salvação não se restringe aos que faziam parte
oficialmente do Povo de Deus! Virão pessoas do mundo todo - as pessoas que,
mesmo sem conhecer a Bíblia - viviam a luta pela justiça!
É
impossível, no nosso mundo de exclusão, fugir da questão da justiça. A
Conferência de Santo Domingo, seguindo as de Medellin e Puebla, já perguntou
como era possível que as piores injustiças do mundo se dão exatamente no
continente nosso, que se diz cristão! A Conferência de Aparecida continuou com
essa preocupação. Como é possível que nos países oficialmente católicos há
tantos rostos do Cristo crucificado? Não é possível ser cristão sem lutar em
favor das pessoas com “rostos desfigurados pela fome, rostos desiludidos pelas
promessas políticas, rostos humilhados de quem vê desprezada a própria cultura,
rostos assustados pela violência cotidiana e indiscriminada, rostos angustiados
de menores, rostos de mulheres ofendidas e humilhadas, rostos cansados de
migrantes sem um digno acolhimento, rostos de idosos sem as mínimas condições
para uma vida digna” (João Paulo II, Vita
Consecrata nº 76).
Não
devemos medir o nosso cristianismo e a pujança da nossa fé pelos belos
edifícios e imponentes matrizes, nem pelas belas celebrações e concentrações
nas grandes ocasiões, por tão válidas e até importantes que possam ser. Meçamos
a nossa fé, a nossa adesão ao Reino pelo nosso empenho em prol dos empobrecidos,
pelos injustiçados, não nos limitando a uma ação meramente assistencialista
(por tão imprescindível que tais ações sejam), mas também nos engajando na luta
pela mudança estrutural de uma sociedade cujo projeto de vida - o
neo-liberalismo selvagem - nada mais é do que um projeto de morte, e portanto
anti-evangélico e pecaminoso.
É
mister unirmos as nossas forças às das pessoas de boa vontade de todas as
crenças e de nenhuma, para que em parceria defendamos a vida ameaçada na
sociedade moderna. Aprendamos de Jesus neste trecho - ele não permite que os
seus interlocutores fiquem olhando somente para o que acontecerá depois da
morte, lá no além, mas insiste que olhem para a vida cotidiana, com as suas
exigências em favor dos oprimidos. O
grande teólogo dominicano sul-africano, Albert Nolan, tocou nessa questão
quando escreveu no seu livro “Jesus Antes do Cristianismo”: “De um modo geral,
quer nos denominemos cristãos, quer não, não costumamos tomar Jesus a
sério. Existem notáveis exceções, mas,
habitualmente, nós não amamos os nossos inimigos, não damos a outra face, não
perdoamos setenta vezes sete, não abençoamos quem nos insultam, não partilhamos
aquilo que temos com os pobres nem colocamos toda a nossa esperança em Deus”....“Jesus
tem sido mais frequentemente honrado e venerado por aquilo que ele não
significou, do que por aquilo que ele realmente significou. A suprema ironia é que algumas das coisas, às
quais ele mais fortemente se opôs na sua época, foram ressuscitadas, pregadas e
difundidas mais amplamente através do mundo – em seu nome.”(Nolan – Jesus antes
do Cristianismo p. 15)
Ressoa uma advertência para nós que somos
frequentadores das Igrejas, que conhecemos os ensinamentos do Evangelho, e que
talvez caiamos na tentação de um certo elitismo religioso: “Vejam: há últimos
que serão primeiros, e primeiros que serão últimos” (v. 30). Ser primeiro ou
último, acolhido ou afastado, depende em primeiro lugar do nosso empenho pela
justiça!
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
FESTA DA ASSUNÇÃO (18.08.13)
Lc
1, 39-56
“Você
é bendita entre as mulheres”
O
evangelho da festa de hoje tem duas partes bem distintas, o encontro entre
Maria (grávida de Jesus) e Isabel (grávida de João); e, o Canto do Magnificat.
Para entender
o objetivo de Lucas em relatar os eventos ligados à concepção e nascimento de
Jesus, é essencial conhecer algo da sua visão teológica. Para ele, o importante
é acentuar o grande contraste, e ao mesmo tempo a continuidade, entre a Antiga
e a Nova Aliança. A primeira está retratada nos eventos ligados ao nascimento
de João, e tem os seus representantes em Isabel, Zacarias e João; a segunda
está nos relatos do nascimento de Jesus, com as figuras de Maria, José e Jesus.
Para Lucas, a Antiga Aliança está esgotada - os seus símbolos são Isabel,
estéril e idosa, Zacarias, sacerdote que não acredita no anúncio do anjo, e o
nenê que será um profeta, figura típica do Antigo Testamento. Em contraste, a
Nova Aliança tem como símbolos a virgem jovem de Nazaré que acredita e cujo
filho será o próprio Filho de Deus. Mais adiante, Lucas enfatiza este contraste
nas figuras de Ana e Simeão, no Templo, (Lc 2, 25-38), especialmente quando
Simeão reza: “Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar o teu servo
partir em paz. Porque meus olhos viram a tua salvação” (2, 29)
Por
isso, não devemos reduzir a história de hoje a um relato que pretende mostrar a
caridade de Maria em cuidar da sua parenta idosa e grávida. Se a finalidade de
Lucas fosse somente mostrar Maria como modelo de caridade, não teria colocado
versículo 56, que mostra ela deixando Isabel antes do nascimento de João.
Também não é verossímil que uma moça judia de mais ou menos quatorze anos
enfrentasse uma viagem tão perigosa como a da Galiléia à Judéia! A intenção de
Lucas é literária e teológica. Ele coloca juntas as duas gestantes, para que
ambas possam louvar a Deus pela sua ação nas suas vidas, e para que fique claro
que o filho de Isabel é o precursor do filho de Maria. Por isso, Lucas tira
Maria de cena antes do nascimento de João, para que cada relato tenha somente
as suas personagens principais: de um lado, Isabel, Zacarias e João; do outro
lado, Maria, José e Jesus.
O
fato que a criança “se agitou” no ventre de Isabel faz recordar algo semelhante
na história de Rebeca, quando Esaú e Jacó “pulavam” no seu ventre, na tradução
da Septuaginta de Gn 25, 22. O contexto, especialmente versículo 43, salienta
que João reconhece que Jesus é o seu Senhor. Iluminada pelo Espírito Santo,
Isabel pode interpretar a “agitação” de João no seu ventre - é porque Maria
está carregando o Senhor.
As
palavras referentes a Maria: “Você é bendita entre as mulheres, e bendito é o
fruto do seu ventre” (v. 42) fazem lembrar mais duas mulheres que ajudaram na
libertação do seu povo, no Antigo Testamento: Jael (Jz 5, 24) e Judite (Jdt
13,18). Aqui Isabel louva a Maria que traz no seu ventre o libertador definitivo
do seu povo.
Vale
destacar o motivo pelo qual Isabel chama Maria de “bem-aventurada” (v. 45):
“Bem-aventurada aquela que acreditou”. Maria é bendita em primeiro lugar, não
por sua maternidade, mas pela fé - em contraste com Zacarias, que não acreditou.
Assim, Lucas apresenta Maria principalmente como modelo de fé. Já no relato da
Anunciação, Maria expressou essa fé quando disse “Faça-se em mim segundo a tua
palavra” (v. 38). Assim, ela aceita não somente ser a mãe do Senhor mas a
protagonista da construção de uma sociedade de solidariedade e justiça, tão
almejada por Deus. Por isso, Lucas faz uma releitura do Canto de Ana (1Sm 2,
1-10) e coloca nos lábios de Maria o canto do Magnificat, em sintonia com a
espiritualidade secular dos Pobres de Javé, que, desprovidos de qualquer poder,
põem a sua esperança em Deus, que “dispersa os soberbos de coração, derruba do
trono os poderosos e eleva os humildes; aos famintos enche de bens, e despede
os ricos de mãos vazias” (vv. 51-53). Longe de ser uma figura passiva, a Maria
deste capítulo é modelo para todos que assumem a luta em favor de uma sociedade
alternativa, de partilha, solidariedade e fraternidade.
Podemos
também acrescentar que neste capítulo primeiro nós encontramos - na Bíblia - as
frases da primeira parte da oração da “Ave Maria”: “Ave Maria” (Lc 1,
28),“Cheia de graça” (Lc 1, 28),“O Senhor é convosco”(Lc 1, 28),“Bendita sois
vós entre as mulheres” (Lc 1, 42), “Bendito o fruto do vosso ventre” (Lc 1,
42), que demonstra que, quando tratada com fundamento bíblico, a figura de
Maria não é empecilho para uma caminhada ecumênica, pois a Escritura a aponta
como modelo de fé para todos nós!
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
DÉCIMO NONO DOMINGO COMUM (11.08.13)
Lucas
12, 32-48
“Onde
está o seu tesouro, aí estará também o seu coração”
Esse
trecho do capítulo doze retoma em grande parte o tema do domingo anterior - a
questão do relacionamento do cristão e da comunidade com os bens materiais. A
comunidade cristã é caracterizada como “pequeno rebanho” - certamente pequena
diante da força e enormidade do sistema do Império Romano. Aqui não é tão
importante a sua pequenez em termos numéricos, mas em termos da sua importância
e força dentro da sociedade - a fraqueza dela é gritante, e devia ter provocado
insegurança e medo em muitos dos seus membros. Por isso, as palavras de
encorajamento: “Não tenha medo, pequeno rebanho, porque o Pai de vocês tem
prazer em dar-lhes o Reino” (v. 32).
O rebanho não
tem muitos bens materiais, mas terá os bens mais importantes - os do Reino.
Esta idéia nasce do versículo anterior a este trecho: “Busquem o Reino d’Ele e
Deus dará a vocês essas coisas em acréscimo” (v. 31). Estes bens virão na
medida em que a comunidade vive a partilha, ou seja, se coloca na contramão de
uma sociedade de ganância e exploração, repartindo o que tem. Retomando o tema
do último domingo, Jesus adverte: “De fato, onde está o seu tesouro, aí estará
também o seu coração” (v. 34).
Esse
último versículo nos desafia a fazermos uma meditação mais profunda sobre os
valores da nossa vida. Onde - realmente, e não teoricamente - está o meu
tesouro? Em que eu de fato ponho a minha confiança? Sobre o que estou baseando
a minha vida? Qual é a minha experiência prática de partilha? Quais são os
verdadeiros tesouros da minha vida?
Em
seguida, Lucas nos coloca diante das exigências de vigilância e
responsabilidade. Embora muitas vezes se interprete este trecho sobre a vinda
do Senhor em termos do “fim do mundo”, ou referindo-se ao momento da nossa
morte, realmente esses versículos têm uma abrangência muito maior. A ênfase não
está no fim, mas na atitude que nós devemos ter sempre em nossa caminhada.
Sempre devemos estar alertas, para não perdermos o momento de Jesus passar em
nossa vida. Ele chega para nós, não somente na hora da nossa morte, muito menos
no fim do mundo, mas todos os dias, nas pessoas, nos acontecimentos da nossa
realidade, na comunidade em que vivemos. Jesus aqui exige uma atitude de busca
permanente do Reino, através de uma vida de serviço fraterno. Como diz o
teólogo José Pagola no seu livro sobre Lucas, “é surpreendente a insistência
com que Jesus falas da vigilância. Pode-se dizer que Ele entende a fé como uma
atitude vigilante que nos liberta do absurdo que domina muitos homens e
mulheres, que andam pela vida sem meta nem objetivo nenhum” (Pagola “O caminho
aberto por Jesus” Vozes p.213.) Os
versículos 41-46, e o fato que a pergunta é feita por Pedro, porta-voz dos
líderes da comunidade em Lucas, indicam que a mensagem aqui é dirigida em
primeiro lugar aos que têm a função de dirigente na comunidade. Os dirigentes
cristãos não têm estes ofícios para exercer um poder, para dominar, mas muito
pelo contrário, para melhor servir. Somos alertados para que não deixemos a
corrupção do poder tomar conta da nossa vida. Como os dirigentes das
comunidades têm consciência dos seus deveres, muito mais ainda é a sua
responsabilidade: “A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi
confiado, muito mais será exigido” (v. 48).
Aqui o trecho
alarga a sua visão para incluir não somente uma possível corrupção do projeto
cristão através do apego aos bens materiais, mas também através do apego ao
poder, quando este é usado não como serviço, mas como dominação e projeção
pessoal por parte dos dirigentes cristãos. Talvez, não haja corrupção mais
sutil do que a do poder, manifestada em carreirismo, autoritarismo e
auto-projeção dentro das Igrejas. Vale a advertência já feita no século XIX
pelo historiador católico inglês, Lord Acton: “Todo o poder tende a corromper,
e o poder absoluto corrompe absolutamente!”
Lucas
convida a todos, especialmente os dirigentes, à vigilância, para que o nosso
verdadeiro tesouro seja o serviço fraterno, como concretização do projeto de
Jesus, e não a ganância, o poder, a dominação.
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Celebração do Dia do Catequista
“A Catequese é um processo de educação comunitária, permanente, progressiva, ordenada, orgânica e sistemática da fé. Sua finalidade é a maturidade da Fé”.
(CR, n. 31)
PAZ e BEM a todos e todas!
Espero encontrá-los todos bem, com saúde, felizes e realizando a missão...!
Já iniciaremos o mês de agosto, momento privilegiado onde a Igreja nos convoca para celebrarmos as vocações. Por isso, partilhamos com todos/as uma CELEBRAÇÃO para o DIA DOS CATEQUISTAS. Vamos aproveitar esse momento especial para fazer memória e celebrar os 30 do Documento Catequese Renovada. Documento importante, significativo e marco para a caminhada catequética da Igreja no Brasil.
Boa semana, boa celebração! Roguemos a nosso bom Deus que nos conceda viver a nossa VOCAÇÃO na verdadeira alegria e obediência ao Engelho!
Atenciosamente,
I. Luciene
OBS: Recordamos a todos que nesse final de mês precisamos concluir as inscrições, questões de hospedagem e pagamento de alimentação para o NORDESTÃO... Vamos agilizar essas tarefas! Aguardo contato... Obrigada!
Celebração para o dia do/a Catequista 2013
Comissão Episcopal Pastoral para Animação Bíblico-Catequética
30 ANOS DE CATEQUESE RENOVADA
Celebração para o dia do/a Catequista
25 de agosto /2013
“A Catequese é um processo de educação comunitária, permanente, progressiva, ordenada, orgânica e sistemática da fé. Sua finalidade é a maturidade da Fé”. (CR, n. 31)
APRESENTAÇÃO
Caríssimos/as Catequistas!
Estamos crescendo de forma admirável na proposta de uma catequese de inspiração catecumenal à serviço da Iniciação à vida Cristã. Os sinais são visíveis em toda parte. E nesse processo percebemos a importância fundamental da liturgia como celebração da fé suscitada pela catequese.
O despertar primeiro dessa nova consciência é fruto da CATEQUESE RENOVADA (Doc. Nº 26 da CNBB) que completa seus 30 anos de existência neste ano de 2013. Muito mais que um documento se trata de um grande espírito de renovação, não só na catequese, como de toda a ação evangelizadora da Igreja. CR Propôs novas metodologias, novo dinamismo e um renovado ardor missionário. Abriu caminho para o processo de Iniciação à vida cristã com inspiração catecumenal e para a animação Bíblica da vida e da pastoral.
O Dia do Catequista, que celebra a vida e a vocação de todos e todas que se deixaram embeber por esse espírito de renovação é também a melhor ocasião para fazer memória e cantar ação de graças pelas maravilhas que o Espírito realizou entre nós através da CR. E queremos fazê-lo em meio ao clima do Ano da Fé que veio reforçar ainda mais a importância decisiva do ministério da catequese hoje.
Contamos desta vez com a preciosa ajuda de Maria Erivan e sua equipe do NE 1 (Ceará) para a elaboração do roteiro desta celebração. Queremos agradecer de coração este belo serviço à todas as comunidades do Brasil!
BOA CELEBRAÇÃO!
PROPOSTA CELEBRATIVA PARA O DIA DO CATEQUISTA
- CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA ( onde houver padre)-
- Espaço Celebrativo:( Flores, Bíblia, Vela, Documento n. 26 da CNBB e outros símbolos da Região que falam de renovação na catequese)
- Comentarista: Queridos/as Catequistas!
Hoje, domingo, Dia do Senhor, a Igreja no Brasil celebra o Dia do Catequista e dos outros ministérios e serviços da comunidade. Reunidos como discípulos e discípulas, desejamos louvar e bendizer a Deus em primeiro lugar pela vocação de cada um/a. Pois “Jesus chamou os que desejava escolher”. (Mc 3, 13 ). Agradecer por todos aqueles que ouviram o chamado do Mestre e disseram SIM,Senhor,“eis-me aqui, envia-me”. (Is 6, 8).Com alegria também queremos trazer presente no altar do Senhor o ANO DA Fé que estamos vivenciando e de maneira muito especial os 30 ANOS DO DOCUMENTO CATEQUESE RENOVADA ( Nº 26 da CNBB). Revendo o caminho, é possível perceber quantas conquistas foram alcançadas como frutos desse documento, grande presente do Espírito para nós. Quantos encontros, semanas catequéticas, seminários e simpósios foram realizados. Quantos subsídios e manuais surgiram desde então. Por tudo isso, queremos hoje dar graças a Deus.
RITOS INICIAIS
- Procissão de Entrada: O Presidente acompanhado por todos os catequistas da comunidade e equipe celebrativa.
- Comentarista: Acolhendo a procissão de entrada, cantemos juntos:
Senhor se tu me chamas eu quero te ouvir, se queres que eu te siga respondo, eis-me aqui.
1.Profetas te ouviram e seguiram tua voz, andaram mundo afora e pregaram sem temor. / Seus passos tu firmastes sustentando seu vigor. Profeta tu me chamas: vê Senhor, aqui estou.
2. Os séculos passaram, não passou, porém tua voz que chama ainda hoje, que convida a te seguir. / Há homens e mulheres que te amam mais que a si, e dizem com firmeza: vê Senhor, estou aqui.
Ou: Por amor e vocação (CD Avancem para águas mais profundas)
- Saudação Inicial – (por conta do presidente da celebração).
- Ato Penitencial:
-Comentarista:queremos trazer presente nesta celebração nossa revisão pelo que deixamos de fazer, pela nossa falta de coragem em lançar as redes e “avançar para águas mais profundas”. (Lc 5,4). Também neste Ano da Fé reconhecer nossa falta de fé nos momentos mais críticos de nossa e vida e do ministério da catequese.
- Catequista:Senhor, nestes trinta anos de caminhada da Catequese Renovada, que orienta para uma formação sistemática dos catequistas, queremos te pedir perdão, pelas vezes que não valorizamos os encontros de formação, que não aprofundamos tua Palavra e não fomos presença na celebração e na vida da comunidade.
Senhor, piedade, ó Cristo piedade. Piedade de nós compaixão, Senhor. (bis).
- Catequista:Cristo, a catequese renovada nos chama para uma experiência de Encontro Contigo, que ajude os catequisandos a conhecerem a Ti. Pelas vezes que não testemunhamos e não falamos de ti, te pedimos perdão.
- Catequista:Senhor, as situações históricas e aspirações do nosso povo são conteúdos de catequese. Pelas vezes que deixamos de acolher os mais necessitados, te pedimos perdão.
- Celebrante conclui...
- Hino de Louvor: a escolha da equipe
- Oração do Dia ............
LITURGIA DA PALAVRA
- Acolhida a Palavra
(Bíblia ou Lecionário, ladeado com duas velas e trazidos por catequistas).
- Comentarista: A Palavra de Deus é o Livro por excelência da Catequese. Pois é a catequese hoje, a grande responsável de colocar nas mãos de crianças, jovens e adultos a Palavra de Deus. Acolhamos a Palavra de Deus que é a luz que ilumina a nossa catequese e sustenta a nossa vocação.
- Canto:
A Palavra de Deus é luz que guia na escuridão. É semente de paz, de justiça e perdão. (bis).
Ou:
É como a chuva que lava é como fogo que arrasa. Tua Palavra é assim, não passa por mim sem deixar um sinal.
- Primeira Leitura – Is 66,18-21
- Salmo: 116(117)
- Segunda Leitura – Hb 12,5-7.11-13
- Canto de Aclamação: a escolha...
- Evangelho – Lc 13 , 22-30
- Homilia: Pode ser feita em forma de Leitura Orante ( leitura – meditação- oração –contemplação/ação) a partir de um ou de todos os textos bíblicos proclamados. Importante: na hora da meditação (O que diz o texto para nós hoje?) fazer clara ligação com os elementos principais que CR nos ensinou: “catequese como processo de iniciação à vida de fé”; “interação fé e vida”; “Bíblia como livro por excelência da catequese”; “Catequese transformadora”; “opção preferencial pelos pobres”; “catequese inculturada”;“Catequese evangelizadora”; “catequese comunitária e integrada nas outras pastorais”, etc.
(Obs: Em lugares onde não há padre pode-se também escrever em folhas de papel os elementos acima para serem refletidos entre todos).
- Profissão de Fé: enquanto os/as catequistas acendem as velas no Círio Pascal, motivar o mantra:
Canto: Ó luz do Senhor que vem sobre a terra, inunda meu ser, permanece em nós.
-Presidente: (explica o sentido deste gesto) para depois perguntar: Vocês creem em Deus Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra e assim o ensinam na catequese?
- Catequistas: Sim creio
- Presidente: Vocês creem em Jesus Cristo e o seguem com fidelidade, levando os catequisandos a fazer a experiência do Encontro com Ele?
- Catequistas: Sim creio e procuro seguir
- Presidente:Vocês creem no Espírito Santo que com o Pai e o Filho formam a melhor comunidade de amor e incentivam o espírito comunitário na catequese?
- Catequistas: Sim creio e incentivo.
- Presidente: Vocês creem que a Igreja-comunidade é caminho para a construção do Reino de Deus na história que leva ao Reino definitivo e ajudam a todos a vivenciar esta mesma fé?
- Catequistas: Sim creio e procuro testemunhar.
- Presidente:Esta é a fé da Igreja que no batismo recebestes. Renovai-a neste Ano da Fé e esforçai-vos para cultivá-la naqueles que vos foram confiados na catequese.
- Catequistas: Assim seja!
LITURGIA EUCARÍSTICA
- Apresentação das Oferendas
- Canto: Queremos oferecer (CD - avancem para águas mais profundas)
- Oração Eucarística – (segue normal até depois da comunhão.)
RITOS FINAIS
Envio dos catequistas: Antes da Benção Final o presidente convida os/as catequistas a se colocarem diante do altar e lhes apresenta uma Bíblia aberta na qual todos/as colocam sua mão direita.
- Comentarista: Foi a CATEQUESE RENOVADA que abriu o caminho para a Palavra de Deus, tornando a Bíblia o livro por excelência da catequese. O/a Catequista é, por isso, considerado ministro da Palavra e sua missão é dar a conhecê-la para que seja amada e vivida. É importante que esse compromisso se renove constantemente...
Presidente: Animados pelo Espírito Santo e enviados pela comunidade continuai o caminho de educação da fé que tem sua fonte na Palavra de Deus. E que esta Palavra também seja Luz e força para realizar o serviço da construção de seu Reino de Fraternidade!
Que o Senhor vos proteja e vos guarde,
Que faça iluminar sobre vós a sua face e vos dê a Paz!
(e dirigindo-se a todos): Abençoe-vos o Deus todo-poderoso, o Pai, o Filho e o Espírito Santo...
Todos: Amém.
Canto final: a escolha...
domingo, 4 de agosto de 2013
DÉCIMO OITAVO DOMINGO COMUM (04.08.13)
Lucas
12,13-21
“Tenham
cuidado com qualquer tipo de ganância”
Mais
uma vez nos deparamos com um dos temas favoritos de Lucas - o combate à
ganância, em todas as suas formas, especialmente dentro da comunidade dos discípulos
de Jesus. A parábola de hoje só se encontra neste Evangelho, sublinhando assim
o interesse de Lucas pelo assunto.
Ressoa
com todas as letras a advertência de Jesus para os seus discípulos: “Atenção!
Tenham cuidado com qualquer tipo de ganância” (v. 15b). Com certeza, a
caminhada de mais ou menos cinquenta anos das comunidades cristãs, até a data
do escrito de Lucas, tinha mostrado que os cristãos não eram isentos da
tentação da acumulação de bens, e do individualismo. Cumpre assinalar que o
Evangelho não nega o valor nem a necessidade de bens materiais. Afinal, sem
eles não seria possível ter uma vida digna e humana - o que Deus quer para
todos os seus filhos e filhas. A luta não é contra os bens, mas contra a
ganância, o egoísmo, a acumulação, a confiança no aumento dos bens como valor
supremo das nossas vidas.
Se
foi importante fazer esta advertência há quase dois mil anos, quanto mais hoje,
quando nós vivemos mergulhados em um mundo de consumismo e materialismo; quando
se prega o “evangelho” da competitividade e acumulação; onde os profetas do
projeto neo-liberal da exclusão entram todos os dias em nossos lares, através
da televisão e da internet; onde a meta do sistema é concentrar cada vez mais
bens nas mãos de uma elite privilegiada, excluindo, cada vez mais, pessoas que
não podem competir. Até Deus e a religião se tornam bens rentáveis, com certos
“pregadores do Evangelho”, auto-denominados de “Apóstolos” “Bispos” ou
“Pastores” se enriquecendo escandalosamente às custas dos fiéis ingênuos e manipulados..
Como nós cristãos vivemos mergulhados neste ambiente, acontece muitas vezes
que, sem dar conta do fato, nós o assimilamos, como por osmose, diluindo o
evangelho da fraternidade e solidariedade, e reduzindo a prática religiosa ao
âmbito individual e intimista, tirando dela a sua força transformadora. Os pronunciamentos recentes do Papa Francisco
sobre esse assunto são mais do que oportunos.
O
rico da parábola muito bem poderia representar a ideologia do sistema vigente
dos nossos dias. Chama a atenção o número de vezes que ele usa as palavras
“eu”, “meu” “minha” - é um homem totalmente fechado no seu mundinho, fechado
sobre si, sem sensibilidade diante dos sofrimentos e necessidades dos irmãos e
irmãs.
Jesus
o chama de “louco” - não por ter o suficiente para viver bem, nem por
alegrar-se com este fato, mas por colocar o sentido da sua vida na acumulação
de riquezas, achando que isso lhe traria a felicidade por si. A pergunta que
Jesus faz: “E as coisas que você preparou, para quem vão ficar?” (v. 20),
levanta a pergunta fundamental que todos nós temos que responder: qual é o
sentido da nossa vida? O que é realmente importante? Sobre o que baseamos a
nossa felicidade? Pois, tudo passará - e então seria tolice fundamentar a nossa
felicidade sobre algo que necessariamente vai acabar. É um convite para que
achemos o alicerce firme para a nossa caminhada, para a nossa felicidade.
Podemos construir as nossas vidas sobre areia - movediça, sem firmeza; ou sobre
a rocha - firme e imutável. Sobre coisas efêmeras, ou sobre Deus e o seu
projeto de solidariedade, fraternidade e partilha.
O
homem da parábola terminou a sua vida na frustração, perdeu tudo, e a sua vida
acabou sem sentido. E Jesus nos adverte: “Assim acontece com quem ajunta
tesouros para si mesmo, mas não é rico para Deus!” (v. 21). A escolha é nossa!
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br


