"CHIQUE É CRER EM DEUS"
Investir em conhecimento pode nos tornar sábios... Mas, Amor e Fé nos tornam humanos!
Coisas que todos os catequistas novatos deveriam saber
Catequese é algo fundamental para a Igreja e não se pode improvisar. Por isso, aqui vão algumas coisas básicas que você não pode esquecer.
O catecismo responde.
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quinta-feira, 1 de novembro de 2012
FESTA DE TODOS OS SANTOS (04.11.12)
Mt 5, 1-12a
“Fiquem alegres e contentes, porque será grande para vocês a recompensa nos céus”
Esses primeiros versículos de Cap. 5 servem ao mesmo tempo como introdução e como resumo do Sermão da Montanha. Nos apresentam um retrato das qualidades do verdadeiro(a) discípulo(a), que, no seguimento de Jesus, procura viver os valores do Reino de Deus. Basta uma leitura superficial para ver que a proposta de Jesus está na contramão da proposta da sociedade vigente – tanta a do tempo de Jesus, como de hoje. Embora de uma forma menos contundente do que o texto paralelo do “Sermão da Planície” de Lucas (cf. Lc 6, 20-26), o texto de Mateus deixa claro que o seguimento de Jesus exige uma mudança radical na nossa maneira de pensar e viver.
Um primeiro elemento que chama a atenção é o fato de que a primeira e a última bem-aventurança estão com o verbo no presente – o Reino já é dos pobres em espírito e dos perseguidos por causa da justiça – na verdade, as mesmas pessoas, pois os que buscam a justiça são “pobres em espírito”. Eles já vivem a dependência total de Deus, pois só com Ele esses valores podem vigorar. Mas quem luta pela justiça será perseguido – e quem não se empenha nessa luta jamais poderá ser “pobre em espírito”.
As outras bem-aventuranças traçam as características de quem é pobre em espírito. É aflito, por causa das injustiças e do sofrimento dos outros, causados por uma sociedade materialista e consumista. É manso, não no sentido de passivo, mas porque não é movido pelo ódio e violência que marcam a ganância e a truculência dos que dominam, “amansando” os pobres e fracos.
Tem fome da justiça do Reino, não a dos homens, que tantas vezes não passa de uma legitimação oficial da exploração e privilégio, pois freqüentemente as leis são formuladas e aprovadas por esses mesmos grupos dominantes em prol dos seus próprios interesses e benefício. Tem coração compassivo, como o próprio Pai do Céu, e é “puro de coração”, sem ídolos e falsos valores. Promove a paz, não “a paz que o mundo dá” (cf. Jo 14, 27), mas o “shalom”, a paz que nasce do projeto de Deus, quando existe a justiça do Reino. Cumpre lembrar que “Shalôm”não é somente a ausência de briga e conflito explícitos, mas é a presença de tudo que Deus deseja para todos os seus filhos e filhas sem distinção. É a presença do Reino de vida plena!
Mas Jesus deixa clara a conseqüência de assumir esse projeto de vida – a perseguição! Pois um sistema baseado em valores anti-evangélicos não pode agüentar quem a contesta e questiona, algo que a história dos mártires do nosso continente testemunha muita bem. Qualquer igreja cristã que é bem aceita e elogiada pelo sistema hegemônica precisaria se questionar sobre a sua fidelidade à vivência das bem-aventuranças do Sermão da Montanha. O martírio (que na sua raiz significa “testemunho”) é a pedra-de-toque dessa fidelidade. O martírio nem sempre se dá pela morte física, mas muitas vezes pela morte lenta ao egoísmo e às ideologias de dominação, em uma vivência fiel da luta pela justiça do Reino de Deus. É a concretização da declaração de Jesus: “quem quiser me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz, e me siga”(Mt 16,24)
A festa de hoje não é tanto para recordamos os nomes e façanhas dos grandes Santos/as conhecidos/as, por valioso que isso possa ser, mas também para que lembremos
de tantos milhões de pessoas, de todas as raças, culturas e religiões, que viviam a santidade no anonimato das suas vidas diárias, na luta de viver na fidelidade aos valores do Reino. O grande milagre que mostra a santidade é a vivência fiel em busca do bem, na dedicação à família, à comunidade e à sociedade, sempre procurando cumprir a vontade de Deus, seja qual for a nossa experiência d’Ele. Se examinarmos as nossas vidas, veremos que já conhecíamos muitas pessoas santas, cujos nomes jamais serão conhecidos, mas que servem como exemplo dos verdadeiros valores para nós. Que a celebração nos anime na busca da vivência fiel dos valores do Evangelho, não em grandes milagres, mas no dia a dia da nossa vocação, seja o que for.
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Festa de Nossa Senhora Aparecida: “Façam tudo o que ele lhes disser”
FESTA
DA NOSSA SENHORA APARECIDA (12.10.12)
Jo
2, 1-12
A primeira parte do Quarto Evangelho é comumente
chamada “O Livro dos Sinais”, pois, o
evangelista relata uma série de sete sinais que, passo por passo, revelam quem
é Jesus, e qual é a missão d’Ele (embora algumas bíblias traduzam o termo grego
por “milagre”, a tradução mais
correta é: “Sinal”). O primeiro
desses sinais aconteceu no contexto das bodas de Caná, o nosso texto de hoje.
Como quase todo o Evangelho de João, o relato está carregado de simbolismos,
onde pessoas, números e eventos funcionam simbolicamente, para nos levar além
da superfície das coisas, em uma caminhada de descoberta sobre a pessoa de
Jesus.
Um dos temas
centrais do quarto evangelho é o da “hora” de Jesus. A “hora” não se refere à
cronometria, mas à hora de glorificação de Jesus, por sua morte e ressurreição.
Em resposta ao pedido feito por Maria (note que João nunca se refere a Ela pelo
nome, mas pelo título “mulher”), usando de uma maneira um tanto estranha este
termo para a mãe d’Ele, João quer indicar que Jesus rejeita uma esfera
meramente humana de ação para Maria, para reservar para Ela um papel muito mais
rico, ou seja, o da mãe dos seus discípulos. Maria somente vai aparecer mais
uma vez neste evangelho - ao pé da cruz, onde Ela e o Discípulo Amado assumem
um relacionamento de Filho e Mãe. Devemos lembrar que o Discípulo Amado
simboliza a comunidade dos discípulos/as do Senhor.
Não devemos
reduzir a ação da Maria no texto à de uma incomparável intercessora. Embora
seja comum esta interpretação na devoção popular, não se sustenta do ponto de
vista exegético. É melhor ver Maria aqui como discípula exemplar, pois embora a
resposta de Jesus indique um distanciamento entre a sua expectativa e a visão
d’Ele, Ela continua com confiança n’Ele e leva outros a acreditar nele: “Façam
tudo o que Ele lhes disser”.
O simbolismo
da água tornada vinho é também importante. Não era qualquer água - era a água
da purificação dos judeus. Com essa história, João quer mostrar que doravante
os ritos judaicos de purificação estão superados, pois a verdadeira purificação
vem através de Jesus. Podemos entender isso como a mudança de uma prática
religiosa baseada no medo do pecado, uma prática que excluía muita gente
considerada impura, para uma nova relação entre Deus e a humanidade, a partir
de Jesus. Assim, em Caná Jesus começa a substituir as práticas do judaísmo do
Templo, o que vai continuar ao longo do Evangelho de João.
A
quantia do vinho chama a atenção - 600 litros! O vinho em abundância era
símbolo dos tempos messiânicos, e na tradição rabínica, a chegada do Messias
seria marcada por uma colheita abundante de uvas. Assim João quer dizer que a
expectativa messiânica se realiza em Jesus. E as talhas transbordantes
simbolizam a graça abundante que Jesus traz.
A figura do mestre-sala é também simbólica, bem
como a dos serventes. Aquele que devia saber a origem do vinho da festa, não o
sabia, enquanto estes, sabiam. Assim, o mestre-sala representa os chefes do
Templo que não sabiam a origem de Jesus enquanto os servos representam os
discípulos que acreditaram n’Ele.
Fazendo comparação entre o vinho antigo
e o novo, João quer reconhecer que a Antiga Aliança era boa, mas a Nova a
superou. Os ritos e práticas judaicos, ligados à purificação e ao sacrifício,
não têm mais sentido, pois uma nova era de relacionamento entre a humanidade e
Deus começou em Jesus.
O
ponto culminante do relato está em v. 11: “Foi em Caná que Jesus começou os
seus sinais, e os seus discípulo acreditaram n’Ele”. A fé deles não é
intelectual ou teórica, mas o seguimento concreto do Mestre, na formação de
novos relacionamentos de amor. Passo por passo, o autor vai revelando Jesus
através de sinais para que nós, os leitores, possamos “acreditar que Jesus é o
Messias, o Filho de Deus. E para que, acreditando, tenhamos a vida em seu nome”
(Jo 20, 31).
Pe. Tomaz Hughes SVD
E-mail: thughes@netpar.com.br
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
São Francisco de Assis
Paz e
Bem!!!
Hoje, 04 de outubro, o mundo se alegra ao celebrar e homenagear, nosso
Glorioso São Francisco de Assis.
Prezados leitores,
Trazemos-lhes, hoje, este
maravilhoso texto acerca da ‘Perfeita alegria’, a qual tanto buscamos e
desejamos! São Francisco nos ensina com palavras de suave fragrância e atitude
de mestre o quanto nos é importante ser o irmão menor, aquele que vive a fraternidade
universal, a paz e o bem! Ouçamos o pobre de Assis que é considerado um dos
maiores santos da Igreja.
“Acima
de todas as graças e dons do Espírito Santo, que Cristo concede aos seus
amigos, está a de vencer a si mesmo e de boa vontade, por amor de Cristo,
suportar penas, injúrias, opróbrios e mal-estares; porque de todos os outros
dons de Deus nós não podemos nos gloriar, pois não são nossos, mas de Deus”
I Fioretti di São Francisco de Assis.
I Fioretti di São Francisco de Assis.
Como, andando pelo caminho,
São Francisco e Frei leão, expôs para ele coisas que são a perfeita alegria.
Vindo uma vez São Francisco
de Perusa para Santa Maria dos Anjos com Frei Leão, era tempo do inverno e o
frio grandíssimo o cruciava fortemente. Chamou Frei Leão, que ia indo na
frente, e disse assim: “Frei Leão, se acontecer, por graça de Deus, que os
frades menores dêem em todas as terras grande exemplo de santidade e de boa
edificação; apesar disso, escreve e anota diligentemente que não está aí a
perfeita alegria”.
E andando mais adiante, São
Francisco chamou-o uma segunda vez: “Ó Frei Leão, ainda que o frade menor
ilumine os cegos, estenda os encolhidos, expulse os demônios, faça os surdos
ouvirem e coxos andarem, e os mudos falarem e, o que é coisa maior, ressuscite
os mortos de quatro dias; escreve que não está aí a perfeita alegria”.
E, andando um pouco, São
Francisco gritou forte: “Ó Frei Leão, se o frade menor soubesse todas as
línguas, todas as ciências e todas as escrituras, de modo que soubesse
profetizar e revelar não somente as coisas futuras mas até os segredos das
consciências e das pessoas; escreve que não está nisso a perfeita alegria”.
Andando um pouco mais
adiante, São Francisco ainda chamava forte: “Ó Frei Leão, ovelhinha de Deus,
ainda que o frade menor fale com a língua do Anjo e saiba os caminhos das
estrelas e as virtudes das ervas, e lhe fossem revelados todos os tesouros da
terra, e conhecesse as virtudes dos pássaros e dos peixes e de todos os
animais, e das pedras e das águas; escreve que não está nisso a perfeita
alegria”.
E andando ainda mais um
pedaço, São Francisco chamou com força: “Ó Frei Leão, ainda que o frade menor
soubesse pregar tão bem que convertesse todos os infiéis para a fé de Cristo;
escreve que aí não há perfeita alegria”.
E durando esse modo de falar
bem duas milhas, Frei Leão, com grande admiração, lhe perguntou, dizendo: “Pai,
eu te peço da parte de Deus que tu me digas onde há perfeita alegria”. E São
Francisco lhe respondeu: “Quando nós estivermos em Santa Maria dos Anjos, tão molhados
pela chuva, enregelados pelo frio, enlameados de barro, aflitos de fome, e
batermos à porta do lugar, e o porteiro vier irado e disser: Quem sois vós? E
nós dissermos: Nós somos dois dos vossos frades. E ele disser: Vós não dizeis a
verdade, aliás sois dois marotos que andais enganando o mundo e roubando as
esmolas dos pobres; ide embora; e não nos abrir, e fizer-nos ficar fora na neve
e na água, com o frio e com a fome até de noite; então, se nós suportarmos
tanta injúria e tanta crueldade, e tantas despedidas pacientemente, sem nos
perturbarmos, e sem murmurar dele, e pensarmos humildemente que aquele porteiro
nos conhece de verdade, que Deus o faz falar contra nós; ó Frei Leão, escreve
que aqui há perfeita alegria. E se, apesar disso, continuássemos batendo, e ele
saísse para fora perturbado, e nos expulsasse como velhacos importunos, com
vilanias e bofetões, dizendo: Ide embora daqui, ladrõezinhos muito vis, ide ao
hospital, porque aqui vós não comereis, nem vos abrigareis; se nós suportarmos
isso pacientemente, com alegria e com bom amor; ó Frei Leão, escreve que aqui
há alegria perfeita.
E se nós, mesmo constrangidos
pela fome, pelo frio e pela noite, ainda batermos mais, chamarmos e pedirmos
por amor de Deus com muito pranto que nos abra e nos ponha para dentro assim
mesmo, e ele escandalizado disser: Estes são patifes importunos, eu os pagarei
bem, como merecem; e sair para fora com um bastão cheio de nós, e nos agarrar
pelo capuz e jogar por terra, e nos revirar na neve e nos bater nó por nó com
aquele bastão: se nós suportarmos todas essas coisas pacientemente e com
alegria, pensando nas penas de Cristo bendito, que temos que aguentar por seu
amor; ó Frei Leão, escreve que aqui e nisto há perfeita alegria.
E, por isso, ouve a
conclusão, Frei Leão. Acima de todas as graças e dons do Espírito Santo, que
Cristo concede aos seus amigos, está a de vencer a si mesmo e de boa vontade,
por amor de Cristo, suportar penas, injúrias, opróbrios e mal-estares; porque
de todos os outros dons de Deus nós não podemos nos gloriar, pois não são
nossos mas de Deus, como diz o Apóstolo: Que é que tu tens que não recebeste de
Deus? E se recebeste dele, por que te glorias, como se o tivesses por ti? Mas
na cruz da tribulação e da aflição nós podemos nos gloriar, pois diz o
Apóstolo: Não quero me gloriar a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo”.
Para louvor de Jesus Cristo e
do pobrezinho Francisco. Amém
Oxalá que possamos viver a
Verdadeira Aelgria em nosso serviço catequético!!!
Ir. Luciene Oliveira de Macedo
Coordenadora do Regional NE3
Dimensão Bíblico-Catequética