DÉCIMO
SEXTO DOMINGO COMUM (22.07.12)
Mc
6, 30-34
Até
uma leitura superficial do texto de hoje faz saltar aos olhos um tema muito
central - o da “compaixão” de Jesus. Aliás, os evangelhos todos - e
especialmente Lucas - enfatizam este aspecto da personalidade e da missão de
Jesus. Ele demonstrou a quem o encontrasse a verdadeira natureza de Deus: de
ter compaixão para todos os que sofrem.
Os
versículos de hoje demonstram este traço de Jesus no seu relacionamento com os
discípulos e com as multidões.
Com os discípulos, Ele ressalta a
necessidade de descanso depois das tarefas apostólicas. Quando voltam
empolgados com os resultados da missão, a primeira reação do Mestre é
convidá-los para uma retirada, para que possam refazer as forças. Jesus tem
critérios que não correspondem com o grande critério da nossa sociedade - o da
eficácia! Para Ele, os apóstolos não eram máquinas, mas pessoas humanas que
necessitavam de serem tratadas como tal. O trabalho - mesmo o trabalho missionário
- não é o absoluto. Jesus reconhece a necessidade de um equilíbrio entre todos
os aspectos da vivência humana. Aqui há uma lição para muitos cristãos
engajados hoje - embora devamos nos dedicar ao máximo pelo apostolado, não
devemos descuidar das nossas vidas particulares, do cultivo de valores
espirituais, da saúde e do relacionamento afetivo com os outros. Caso
contrário, estaremos esgotados em pouco tempo, meras máquinas ou funcionários
do sagrado, que não mostram ao mundo o rosto compassivo do Pai.
Mais
ainda, o texto ressalta a compaixão de Jesus para com o povo sofrido. Era tão
procurado pelo povo, rejeitado e desprezado pelos chefes político-religiosos de
então, que nem tinha tempo para comer. Quando Ele se retirava, o povo ia atrás
d’ Ele. O que atraía tanta gente? Com certeza não foi em primeiro lugar a
doutrina, nem os milagres, mas o fato de irradiar compaixão, de demonstrar de
uma maneira concreta o amor compassivo de Deus. Jesus não teve “pena” do povo,
não teve “dó” dos sofridos. Teve “compaixão”, literalmente, sofria junto, e
tinha uma empatia pelos sofredores, que se transformava numa solidariedade
afetiva e efetiva. Este traço da personalidade de Jesus desafia as Igrejas e os
seus ministros hoje, para que não sejam burocratas do sagrado, mas irradiadores
da compaixão do Pai. Infelizmente a frieza humana freqüentemente marca as
nossas atitudes, pregações e cuidado pastoral. Em um mundo que exclui, que
marginaliza e que só valoriza quem consome e produz, o texto de hoje nos
desafia para que nos assemelhemos cada vez mais a Jesus, irradiando compaixão
diante das multidões, hoje, como dois mil anos atrás, semelhantes a “ovelhas
sem pastor”.
Tomaz Hughes SVD
thughes@netpar.com.br
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